Circo

29 set

Eram várias colunas – seriam gregas ou romanas? -, um portal. Atravesso armadilhas de fezes dos pombos do bacharelado. Olhar deslumbrado. 360º. Vibram víboras verdes, arrotam asnos azuis, duas metades de um idoso circo de esterilidade. Coliseu.

Sento-me em aulas romanas, tão velhas quanto os palhaços lexcegados, sinto-me em casa. Os animais vibram, os domadores gritam. As personagens vivem e as pilhérias afloram: circo.

Os tambores tentam enganar meu coração junto às promessas brandas da democracia. Circo. Sinto o chicote nas costas enquanto engulo a pipoca da aceitação. Mato minha alma ao vender meus olhos: espectadorismo.
Várias colunas apoiadas em escadas que impossibilitam a entrada do povo, a massa aleijada. Coliseu moderno e seus gladiadores do discurso, vejo-me preso ao grande peso de admirar. Passivo circo. Tantas cortinas que me cegam, que me engolem, que me vedam…

E esse céu tão azul ao topo da Santos Andrade. E esse mar esverdeado do gramado pisado. De toda essa ilusão só conservo a certeza do sangue vermelho que inflama o meu coração. Em meus olhos o fogo. Circo. Vejo colunas em chama, Nero n’alvorada. Toda a loucura da lucidez me agrada. Fim da picada? Não… É o fim do picadeiro, queda da cortina. Circo sem vossas máscaras.

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