Arquivo | abril, 2011

Sarau Aroeira

15 abr

SARAU AROEIRA!

A gente luta, mas também se diverte!
Comes: Bolos, pão e patês, tortas, docinhos.
Bebes: Vinho, cachaça (com mel, maracujá ou uva), chá, sucos e água.
Música: Não vai ter Molejo.
Entrada: A bagatela de 1,99!

AROEIRA – Geraldo Vandré

Vim de longe vou mais longe
Quem tem fé vai me esperar
Escrevendo numa conta
Pra junto a gente cobrar
No dia que já vem vindo
Que esse mundo vai virar

Noite e dia vem de longe
Branco e preto a trabalhar
E o dono senhor de tudo
Sentado mandando dar
E a gente fazendo conta
Pro dia que vai chegar

Marinheiro, marinheiro
Quero ver você no mar
Eu também sou marinheiro
Eu também sei governar
Madeira de dar em doido
Vai descer até quebrar
É a volta do cipó de aroeira
No lombo de quem mandou dar

II Jornada pela Reforma Agrária – Abril Vermelho

11 abr

Coletivo Maio apresenta: Abril Vermelho!

11 abr

Abril Vermelho: 15 anos do massacre de Carajás

11 abr

      Desde 1996, todo mês de abril é vermelho para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. É a forma que o movimento encontrou para não deixar apagar de nossa memória a execução, por tropas da Polícia Militar do Pará, de 22 sem-terra, e mutilação de outros 69 (números oficiais), durante um protesto que exigia comida, transporte e mantimentos, em uma rodovia próxima à cidade de Eldorado dos Carajás.

      Foi uma ação ordenada pelo Governador Almir Gabriel e pelo Secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara. O objetivo era inequívoco: não só desobstruir a rodovia, mas assassinar os coordenadores do movimento e o maior número possível de militantes. Os soldados, armados com fuzis e metralhadoras, chegaram pelos dois lados da PA-150, encurralando os manifestantes. Não houve confronto: as autópsias demonstraram que a maioria das vítimas sofreu tiros na cabeça, nas costas, nos órgãos vitais ou quando se encontravam no chão, desmentindo a hipótese de auto-defesa, e provando a intenção assassina da polícia. Os sem-terra se defenderam com pedras, foices e um revólver.

      O primeiro a ser morto foi Amâncio, um camponês surdo, que não ouviu os primeiros disparos e não conseguiu fugir a tempo. Houve relatos de perseguição, tortura e requintes de crueldade na execução de vários homens, como João Carneiro, que teve o crânio esmagado por um pau. 7 foram mortos por instrumentos cortantes. Tudo isso em plena luz do dia.

      Nenhum policial ficou ferido.

      Os 155 policiais que participaram da ação se tornaram réus na maior ação penal da história do Brasil. 17, dos 18 juízes criminais da comarca de Belém, recusaram o caso, alegando aversão ao MST. A juíza que aceitou, Eva Coelho, presidiu um julgamento repleto de ilegalidades. Apesar da enorme comoção pública e midiática decorrente do massacre, 9 anos depois apenas os comandantes da ação foram condenados: o major Oliveira (154 anos) e o coronel Pantoja (228 anos), que passaram menos de um ano presos, e hoje recorrem em liberdade. 90 soldados que participaram da ação foram promovidos a cabo. Até hoje, somente 22 famílias receberam indenização.

      Em 7 de setembro daquele ano, Oscar Niemeyer ergueu um monumento em homenagem às vítimas; dias depois, já havia sido destruído por fazendeiros da região.

A questão racial na Universidade

11 abr

Na Semana de Lutas da FENED, foi discutida a marginalização da questão racial na universidade brasileira. Existe, de fato, não apenas uma exclusão generalizada da população negra das universidades (ao passo que 45% da população brasileira se considera negra, existem apenas 3% de discentes e menos de 1% de docentes negros nas universidades brasileiras), mas também uma marginalização da própria discussão sobre o problema, tratado como “página virada da história”. É comum as pessoas apoiarem-se num mito de já conquistada democracia racial (afinal, “não somos racistas”) e esquecer que a história do Brasil tem quase 400 anos de escravidão institucionalizada e que desde então quase nada se fez para garantir aos negros e negras o acesso ao trabalho digno, à educação, aos espaços sociais de poder.

Na própria Santos Andrade, em que se discutiu intensamente, há alguns anos, as ações afirmativas na UFPR, hoje quase não se fala mais no tema e no que significou a implementação das cotas. É preciso resgatar esses debates e a luta de estudantes de direito contra a opressão racial! Precisamos discutir a importância da ocupação das universidades pela juventude negra, mas é preciso discutir também sobre os jovens negros que estão nas periferias, que são criminalizados e exterminados pelo Estado, e sobre o recorte racial que permeia o próprio Direito.

O Coletivo Maio pretende, no mês de seu aniversário, iniciar um ciclo de formação sobre o tema, para o qual você está convidado(a)!