Abril Vermelho: 15 anos do massacre de Carajás

11 abr

      Desde 1996, todo mês de abril é vermelho para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. É a forma que o movimento encontrou para não deixar apagar de nossa memória a execução, por tropas da Polícia Militar do Pará, de 22 sem-terra, e mutilação de outros 69 (números oficiais), durante um protesto que exigia comida, transporte e mantimentos, em uma rodovia próxima à cidade de Eldorado dos Carajás.

      Foi uma ação ordenada pelo Governador Almir Gabriel e pelo Secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara. O objetivo era inequívoco: não só desobstruir a rodovia, mas assassinar os coordenadores do movimento e o maior número possível de militantes. Os soldados, armados com fuzis e metralhadoras, chegaram pelos dois lados da PA-150, encurralando os manifestantes. Não houve confronto: as autópsias demonstraram que a maioria das vítimas sofreu tiros na cabeça, nas costas, nos órgãos vitais ou quando se encontravam no chão, desmentindo a hipótese de auto-defesa, e provando a intenção assassina da polícia. Os sem-terra se defenderam com pedras, foices e um revólver.

      O primeiro a ser morto foi Amâncio, um camponês surdo, que não ouviu os primeiros disparos e não conseguiu fugir a tempo. Houve relatos de perseguição, tortura e requintes de crueldade na execução de vários homens, como João Carneiro, que teve o crânio esmagado por um pau. 7 foram mortos por instrumentos cortantes. Tudo isso em plena luz do dia.

      Nenhum policial ficou ferido.

      Os 155 policiais que participaram da ação se tornaram réus na maior ação penal da história do Brasil. 17, dos 18 juízes criminais da comarca de Belém, recusaram o caso, alegando aversão ao MST. A juíza que aceitou, Eva Coelho, presidiu um julgamento repleto de ilegalidades. Apesar da enorme comoção pública e midiática decorrente do massacre, 9 anos depois apenas os comandantes da ação foram condenados: o major Oliveira (154 anos) e o coronel Pantoja (228 anos), que passaram menos de um ano presos, e hoje recorrem em liberdade. 90 soldados que participaram da ação foram promovidos a cabo. Até hoje, somente 22 famílias receberam indenização.

      Em 7 de setembro daquele ano, Oscar Niemeyer ergueu um monumento em homenagem às vítimas; dias depois, já havia sido destruído por fazendeiros da região.

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