Arquivo | setembro, 2012

Nota Pública do Coletivo Maio quanto às eleições do CRD

27 set

Aos nossos colegas, estudantes de direito da UFPR

 

Vento virador no clarão do mar

Vem sem raça e cor, quem viver verá

Vindo a viração vai se anunciar

Na sua voragem, quem vai ficar

Quando a palma verde se avermelhar

É o vento bravo

O vento bravo

 

Pensar política é uma atitude não apenas louvável nos nossos tempos (talvez) pós-modernos, mas necessaria. O esgotamento evidente das nossas estruturas, formas e deformas, que permeiam a “grande” política também se reflete no desgaste da política acadêmica. O Coletivo Maio foi e é o sintoma mais evidente desse desgaste, dessa negação do Mesmo.

Nas últimas eleições do Conselho de Representantes Discentes procuramos, através de um discurso, começar a mudar uma pequena realidade: a Faculdade de Direito da UFPR. Muitas vezes repudiado, chamado de demagógico, idealista, vazio etc, o nosso discurso nunca perdeu uma caracteristica essencial à nossa época: a radicalidade. Ir à raiz do problema: ser radical.

Já compusemos o CRD, assim como já tivemos maioístas no COUN (Conselho Universitário, a instância burocrática máxima de deliberação na UFPR), sabemos, portanto, os “ondes”: os lugares em que as pautas seriam atendidas. A nossa questão é o “como”. De nada adianta o discurso político sem a ação política. Do mesmo modo, de nada adianta a ação política sem o discurso político. “Como” intervervir na realidade das/os estudantes de Direito, estudantes de uma faculdade elitizada e autofágica? A nossa resposta continua sendo a mesma: através da mobilização, do movimento. Eis que nada é estático.

Precisamos de estrutura: livros, vidros duplos, salas de aula confortáveis e com boa acústica. Do mesmo modo precisamos de assistência estudantil, ainda mais aqueles que têm como maior preocupação não a prova de civil, mas o dia do pagamento do aluguel. Queremos estudar, pesquisar, fazer extensão, nos divertir nas festas, prestar disciplinar em outros cursos: queremos viver a Universidade de cem anos que se propagandeia. E sabemos dos limites do CRD, dos limites da política acadêmica, dos limites do nosso coletivo e dos nossos próprios limites individuais.

Contudo, ousamos usar essas pedras cotidianas dos nossos caminhos estudantis para politizar ao máximo as eleições do CRD. Denunciar à/ao estudante as políticas educacionais do nosso Governo Federal, bem como as escolhas de nossa reitoria e direção. Mostrar, nesses poucos 10 minutos de passagens em salas, a todas e todos que ainda existe quem acredite que a mudança é possível, e que queremos e precisamos da ajuda de todas/os vocês.

Nos últimos dois anos passamos por greves e mobilizações massivas na UFPR. Pudemos constatar a força de um movimento estudantil unificado e combativo, que sabe se localizar politicamente (à esquerda, sem medo de lutar ao lado do trabalhador, do excluído, do oprimido, do povo). Conquistamos as turmas divididas e o aumento de verbas para a assitência estudantil (inclusive com acréscimo quantitativo e valorativo das bolsas) através de nossa ação política.

Sabemos, infelizmente, que não há vitórias reais para a educação sem o confronto político. A democracia liberal em que vivemos não possui falhas no que se propõe. Não acreditamos que uma reforma do CRD ou de qualquer outra entidade trará mudanças reais na nossa faculdade ou na sociedade, não é a estrutura que faz o movimento, mas sim o movimento se apropria das estruturas quando possui táticas e estratégias de infervenção na realidade.

O Coletivo Maio se propõe desde 2008 a transformar a realidade “Fim da História” que reverbera nas colunas da Santos Andrade. Não descolamos o particular (faculdade) do total (educação brasileira). Não temos a ilusão de que mudaremos significativamente estruturas defasadas ou a complexa burocracia da estagnação. Entretanto, nos propomos, de forma humilde – e conscientes do necessário respaldo das/os estudantes, a mudar alguma coisa. Já não há humilhações públicas nas eleições. Já se debate política numa eleição considerada “menor” como a do CRD. Já temos todos os grupos da faculdade debatendo política educacional latu sensu (como o REUNI II). Já temos um corpo estudantil que sabe se posicionar e que vota em programas e não em caricaturas. Já começamos algo, há mais de quatro anos.

E é claro: continuaremos. Se o CRD não é competente para pleitear a equiparação das bolsas ao salário-mínimo, que seja competente para fomentar o debate na faculdade de Direito e mobilizar as/os estudantes. Se o CRD parece falho por um estatuto ou por uma (de)forma burocrática, que nós saibamos subvertê-lo e fazer da estrutura um megafone à voz das/os estudantes.

Vivemos há anos o desmonte da educação pública. O ensino em nossa faculdade é engordado num aulismo mascarador da insuficiência de nossa educação jurídica. O pensamento crítico, que tanto reivindicamos, é estreitado por ataques econômicos e ideológicos. A partir desse cenário, nós do Coletivo Maio vemos o estudante que não possui todas as oportunidades de berço. Sabemos que não temos todas as respostas e muitas vezes erramos por ainda sermos poucos. Contudo, não desistimos de sonhar, nem de botar a mão na massa por esses sonhos. Convidamos todas e todos, dos primeiros aos quintos anos, a também não desistirem de sonhar ou de lutar para mudar a nossa realidade.

Que os ventos virem.

Coletivo Maio

Anúncios

Vira Vento! – Chapa CRD 2012/2013

26 set

Acesse aqui a Carta-Programa da chapa Vira Vento, do Coletivo Maio, às eleições do Conselho de Representantes Discentes (CRD) do Curso de Direito da UFPR!

carta programa – vira vento

Além disso, convidamos à todas/os a comparecer na plenária aberta da chapa nessa quarta-feira, 26/09, às 17h no Boulevard!

Vem ano, vai chapa, volta o mesmo intento: soprar mais um pouco de nada na estagnação do “tento”. Personalissimesmo CRD! Ponto por ponto num programa pronto: mesa é voto, côisa é voto, jargão é voto. É o debate aqui dentro? 

Vira vento!

(Re)Apresentar uma representação é pouco, lamento! Esse povo jurídico quer saber seu direito! Vira vento! Venha debater conosco CRD: nossa concepção, os limites desse espaço, o que propomos e como podemos construir juntos a nossa educação jurídica!

evento no facebook