Arquivo | abril, 2013

Oficina de Pão do Coletivo Maio

25 abr

CARTAZOFICINADEPAO

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O 1º de Maio está chegando, dia de resgate histórico e luta das/os trabalhadores. Mas, afinal, o que é trabalho? O Coletivo Maio te convida a debater o trabalho através do trabalho: fazendo pão! Elemento fundamental da alimentação humana e desenvolvimento tecnológico histórico de nossas sociedades, o pão é fruto de trabalho. Contudo… trabalho de quem? Venha debater conosco botando a mão na massa!

Confira o nosso Maionese-Convite:
MAIONESE (FRENTE) MAIONESE (VERSO)

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CONVITE

Olá, este convite que você tem na sua frente foi preparado na “cozinha” do Maio. O Maio é um grupo político formado por estudantes como você. Mas tentamos saber. E só aprendemos tentando. Como é, mais ou menos, na culinária: antes de acertar o primeiro prato, muita comida queimada, carne mal-cozida, sal demais, indigestões, eventuais internamentos. Mas, um belo dia, eis que aparece um apetitoso tutu de feijão ou um bom frango com quiabo. Na política é mais ou menos a mesma coisa. Além de ter uma receita interessante, nem sempre fácil de preparar, é preciso saber, sem desvirtuar as peculiaridades de cada ingrediente, fazer seu sabor aparecer harmoniosamente no resultado final do prato. Da mesma maneira, como coletivo político, pretendemos aproveitar os diferentes talentos individuais na tentativa de criar um espaço que, ele próprio, estimule as pessoas a seguirem criando. E os ingredientes, nesse processo, também se modificam. Assim, o pão é mais que água, farinha e trigo misturados aleatoriamente em um prato. Esta maçaroca culminaria, no máximo, em uma diarréia política. Da mesma maneira, o Maio também é algo mais que uma mera reunião de indivíduos isolados, tampouco uma receita que se impõe a todos, ovos e batatas, indiferentemente. No Maio, você também muda a receita. Somos uma união de estudantes que se preocupam com o ambiente em que estudam, em que habitam, em que vivem. Por mais que haja vantagens e coisas muito boas em nossa faculdade e mundo, nem tudo é pão-de-ló. Tentamos entender os problemas e dificuldades e, juntos, contorná-los e, nesse processo, aprender, dar liga, crescer. Com isso, o Maio lança sua 4a oficina de pão, uma tarde que passamos juntos amassando pão caseiro, conversando e refletindo sobre o trabalho ao mesmo tempo em que trabalhamos. Traga três reais para a farinha e o açúcar e, claro, alguns poemas para fermentar nossa massa.

Convidamos você a vir fazer pão conosco!

evento no facebook: http://www.facebook.com/events/548795578476790/

Venha conhecer o Maio!

17 abr

 

mosquitomaio
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As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.

(Nosso Tempo, Carlos Drummond)

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O COLETIVO MAIO TE CONVIDA PARA UM 
BATE-PAPO NO BOULEVARD NOS DIAS
18 (12H) E 19 (18H) 
DE ABRIL! 

INCLUI-SE:

DESMISTIFICAÇÕES, POLÍTICA,

CULTURA, MOVIMENTO ESTUDANTIL,

ALTERNATIVA!

VEM, VAI TER BOLO!
(MESMO!)

evento no face: http://www.facebook.com/events/452828334792647/?fref=ts

17 anos de Eldorado dos Carajás

17 abr

Braços erguidos ditemos nossa história
sufocando com força os opressores
hasteemos a bandeira colorida
despertemos esta pátria adormecida
o amanhã pertence a nós trabalhadores!
(Hino do MST)

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     Há 17 anos, no dia 17 de abril de 1996, Eldorado dos Carajás passava a carregar junto a si a memória de um massacre: o assassinato de 22 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, e a mutilação de outros 69. A data é lembrada anualmente pelo MST com atos em diversas partes do país, exigindo a vida pela qual morreram em luta cerca de 458 sem-terra nos últimos 12 anos*. “Reforma agrária já!” ainda ressoa em nossos ouvidos, o grito de um povo despojado de sua existência, de sua dignidade, de sua terra. A aversão aos trabalhadores organizados gerou a impunidade dos assassinos pelo poder judiciário e auxiliou no fortalecimento do combate às organizações dos explorados e oprimidos.

     Nesse 17 de abril reafirmamos que e nosso lado é o das e dos trabalhadores organizadas/os do MST e saudamos a sua luta pela construção de uma outra sociedade! Como estudantes organizados reafirmamos também a luta que travamos há anos em nossa faculdade para a consolidação da Turma para Assentados da Reforma Agrária, que beneficiará a todos nós!

Jamais esqueceremos Eldorado dos Carajás! Seguiremos até a vitória!

* Fonte: http://www.mst.org.br/content/de-caraj%C3%A1s-felisburgo-viol%C3%AAncia-e-impunidade-contra-trabalhadores-do-campo-persiste

      Confira abaixo o informativo produzido em 2011 pelo Coletivo Maio acerca do massacre de 17 de abril:

   Desde 1996, todo mês de abril é vermelho para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. É a forma que o movimento encontrou para não deixar apagar de nossa memória a execução, por tropas da Polícia Militar do Pará, de 22 sem-terra, e mutilação de outros 69 (números oficiais), durante um protesto que exigia comida, transporte e mantimentos, em uma rodovia próxima à cidade de Eldorado dos Carajás.

      Foi uma ação ordenada pelo Governador Almir Gabriel e pelo Secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara. O objetivo era inequívoco: não só desobstruir a rodovia, mas assassinar os coordenadores do movimento e o maior número possível de militantes. Os soldados, armados com fuzis e metralhadoras, chegaram pelos dois lados da PA-150, encurralando os manifestantes. Não houve confronto: as autópsias demonstraram que a maioria das vítimas sofreu tiros na cabeça, nas costas, nos órgãos vitais ou quando se encontravam no chão, desmentindo a hipótese de auto-defesa, e provando a intenção assassina da polícia. Os sem-terra se defenderam com pedras, foices e um revólver.

      O primeiro a ser morto foi Amâncio, um camponês surdo, que não ouviu os primeiros disparos e não conseguiu fugir a tempo. Houve relatos de perseguição, tortura e requintes de crueldade na execução de vários homens, como João Carneiro, que teve o crânio esmagado por um pau. 7 foram mortos por instrumentos cortantes. Tudo isso em plena luz do dia.

       Nenhum policial ficou ferido.

     Os 155 policiais que participaram da ação se tornaram réus na maior ação penal da história do Brasil. 17, dos 18 juízes criminais da comarca de Belém, recusaram o caso, alegando aversão ao MST. A juíza que aceitou, Eva Coelho, presidiu um julgamento repleto de ilegalidades. Apesar da enorme comoção pública e midiática decorrente do massacre, 9 anos depois apenas os comandantes da ação foram condenados: o major Oliveira (154 anos) e o coronel Pantoja (228 anos), que passaram menos de um ano presos, e hoje recorrem em liberdade. 90 soldados que participaram da ação foram promovidos a cabo. Até hoje, somente 22 famílias receberam indenização.

      Em 7 de setembro daquele ano, Oscar Niemeyer ergueu um monumento em homenagem às vítimas; dias depois, já havia sido destruído por fazendeiros da região.

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