17 anos de Eldorado dos Carajás

17 abr

Braços erguidos ditemos nossa história
sufocando com força os opressores
hasteemos a bandeira colorida
despertemos esta pátria adormecida
o amanhã pertence a nós trabalhadores!
(Hino do MST)

.

     Há 17 anos, no dia 17 de abril de 1996, Eldorado dos Carajás passava a carregar junto a si a memória de um massacre: o assassinato de 22 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, e a mutilação de outros 69. A data é lembrada anualmente pelo MST com atos em diversas partes do país, exigindo a vida pela qual morreram em luta cerca de 458 sem-terra nos últimos 12 anos*. “Reforma agrária já!” ainda ressoa em nossos ouvidos, o grito de um povo despojado de sua existência, de sua dignidade, de sua terra. A aversão aos trabalhadores organizados gerou a impunidade dos assassinos pelo poder judiciário e auxiliou no fortalecimento do combate às organizações dos explorados e oprimidos.

     Nesse 17 de abril reafirmamos que e nosso lado é o das e dos trabalhadores organizadas/os do MST e saudamos a sua luta pela construção de uma outra sociedade! Como estudantes organizados reafirmamos também a luta que travamos há anos em nossa faculdade para a consolidação da Turma para Assentados da Reforma Agrária, que beneficiará a todos nós!

Jamais esqueceremos Eldorado dos Carajás! Seguiremos até a vitória!

* Fonte: http://www.mst.org.br/content/de-caraj%C3%A1s-felisburgo-viol%C3%AAncia-e-impunidade-contra-trabalhadores-do-campo-persiste

      Confira abaixo o informativo produzido em 2011 pelo Coletivo Maio acerca do massacre de 17 de abril:

   Desde 1996, todo mês de abril é vermelho para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. É a forma que o movimento encontrou para não deixar apagar de nossa memória a execução, por tropas da Polícia Militar do Pará, de 22 sem-terra, e mutilação de outros 69 (números oficiais), durante um protesto que exigia comida, transporte e mantimentos, em uma rodovia próxima à cidade de Eldorado dos Carajás.

      Foi uma ação ordenada pelo Governador Almir Gabriel e pelo Secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara. O objetivo era inequívoco: não só desobstruir a rodovia, mas assassinar os coordenadores do movimento e o maior número possível de militantes. Os soldados, armados com fuzis e metralhadoras, chegaram pelos dois lados da PA-150, encurralando os manifestantes. Não houve confronto: as autópsias demonstraram que a maioria das vítimas sofreu tiros na cabeça, nas costas, nos órgãos vitais ou quando se encontravam no chão, desmentindo a hipótese de auto-defesa, e provando a intenção assassina da polícia. Os sem-terra se defenderam com pedras, foices e um revólver.

      O primeiro a ser morto foi Amâncio, um camponês surdo, que não ouviu os primeiros disparos e não conseguiu fugir a tempo. Houve relatos de perseguição, tortura e requintes de crueldade na execução de vários homens, como João Carneiro, que teve o crânio esmagado por um pau. 7 foram mortos por instrumentos cortantes. Tudo isso em plena luz do dia.

       Nenhum policial ficou ferido.

     Os 155 policiais que participaram da ação se tornaram réus na maior ação penal da história do Brasil. 17, dos 18 juízes criminais da comarca de Belém, recusaram o caso, alegando aversão ao MST. A juíza que aceitou, Eva Coelho, presidiu um julgamento repleto de ilegalidades. Apesar da enorme comoção pública e midiática decorrente do massacre, 9 anos depois apenas os comandantes da ação foram condenados: o major Oliveira (154 anos) e o coronel Pantoja (228 anos), que passaram menos de um ano presos, e hoje recorrem em liberdade. 90 soldados que participaram da ação foram promovidos a cabo. Até hoje, somente 22 famílias receberam indenização.

      Em 7 de setembro daquele ano, Oscar Niemeyer ergueu um monumento em homenagem às vítimas; dias depois, já havia sido destruído por fazendeiros da região.

seba1

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: