Nota Pública do Coletivo Maio quanto às eleições do CRD

27 set

Aos nossos colegas, estudantes de direito da UFPR

 

Vento virador no clarão do mar

Vem sem raça e cor, quem viver verá

Vindo a viração vai se anunciar

Na sua voragem, quem vai ficar

Quando a palma verde se avermelhar

É o vento bravo

O vento bravo

 

Pensar política é uma atitude não apenas louvável nos nossos tempos (talvez) pós-modernos, mas necessaria. O esgotamento evidente das nossas estruturas, formas e deformas, que permeiam a “grande” política também se reflete no desgaste da política acadêmica. O Coletivo Maio foi e é o sintoma mais evidente desse desgaste, dessa negação do Mesmo.

Nas últimas eleições do Conselho de Representantes Discentes procuramos, através de um discurso, começar a mudar uma pequena realidade: a Faculdade de Direito da UFPR. Muitas vezes repudiado, chamado de demagógico, idealista, vazio etc, o nosso discurso nunca perdeu uma caracteristica essencial à nossa época: a radicalidade. Ir à raiz do problema: ser radical.

Já compusemos o CRD, assim como já tivemos maioístas no COUN (Conselho Universitário, a instância burocrática máxima de deliberação na UFPR), sabemos, portanto, os “ondes”: os lugares em que as pautas seriam atendidas. A nossa questão é o “como”. De nada adianta o discurso político sem a ação política. Do mesmo modo, de nada adianta a ação política sem o discurso político. “Como” intervervir na realidade das/os estudantes de Direito, estudantes de uma faculdade elitizada e autofágica? A nossa resposta continua sendo a mesma: através da mobilização, do movimento. Eis que nada é estático.

Precisamos de estrutura: livros, vidros duplos, salas de aula confortáveis e com boa acústica. Do mesmo modo precisamos de assistência estudantil, ainda mais aqueles que têm como maior preocupação não a prova de civil, mas o dia do pagamento do aluguel. Queremos estudar, pesquisar, fazer extensão, nos divertir nas festas, prestar disciplinar em outros cursos: queremos viver a Universidade de cem anos que se propagandeia. E sabemos dos limites do CRD, dos limites da política acadêmica, dos limites do nosso coletivo e dos nossos próprios limites individuais.

Contudo, ousamos usar essas pedras cotidianas dos nossos caminhos estudantis para politizar ao máximo as eleições do CRD. Denunciar à/ao estudante as políticas educacionais do nosso Governo Federal, bem como as escolhas de nossa reitoria e direção. Mostrar, nesses poucos 10 minutos de passagens em salas, a todas e todos que ainda existe quem acredite que a mudança é possível, e que queremos e precisamos da ajuda de todas/os vocês.

Nos últimos dois anos passamos por greves e mobilizações massivas na UFPR. Pudemos constatar a força de um movimento estudantil unificado e combativo, que sabe se localizar politicamente (à esquerda, sem medo de lutar ao lado do trabalhador, do excluído, do oprimido, do povo). Conquistamos as turmas divididas e o aumento de verbas para a assitência estudantil (inclusive com acréscimo quantitativo e valorativo das bolsas) através de nossa ação política.

Sabemos, infelizmente, que não há vitórias reais para a educação sem o confronto político. A democracia liberal em que vivemos não possui falhas no que se propõe. Não acreditamos que uma reforma do CRD ou de qualquer outra entidade trará mudanças reais na nossa faculdade ou na sociedade, não é a estrutura que faz o movimento, mas sim o movimento se apropria das estruturas quando possui táticas e estratégias de infervenção na realidade.

O Coletivo Maio se propõe desde 2008 a transformar a realidade “Fim da História” que reverbera nas colunas da Santos Andrade. Não descolamos o particular (faculdade) do total (educação brasileira). Não temos a ilusão de que mudaremos significativamente estruturas defasadas ou a complexa burocracia da estagnação. Entretanto, nos propomos, de forma humilde – e conscientes do necessário respaldo das/os estudantes, a mudar alguma coisa. Já não há humilhações públicas nas eleições. Já se debate política numa eleição considerada “menor” como a do CRD. Já temos todos os grupos da faculdade debatendo política educacional latu sensu (como o REUNI II). Já temos um corpo estudantil que sabe se posicionar e que vota em programas e não em caricaturas. Já começamos algo, há mais de quatro anos.

E é claro: continuaremos. Se o CRD não é competente para pleitear a equiparação das bolsas ao salário-mínimo, que seja competente para fomentar o debate na faculdade de Direito e mobilizar as/os estudantes. Se o CRD parece falho por um estatuto ou por uma (de)forma burocrática, que nós saibamos subvertê-lo e fazer da estrutura um megafone à voz das/os estudantes.

Vivemos há anos o desmonte da educação pública. O ensino em nossa faculdade é engordado num aulismo mascarador da insuficiência de nossa educação jurídica. O pensamento crítico, que tanto reivindicamos, é estreitado por ataques econômicos e ideológicos. A partir desse cenário, nós do Coletivo Maio vemos o estudante que não possui todas as oportunidades de berço. Sabemos que não temos todas as respostas e muitas vezes erramos por ainda sermos poucos. Contudo, não desistimos de sonhar, nem de botar a mão na massa por esses sonhos. Convidamos todas e todos, dos primeiros aos quintos anos, a também não desistirem de sonhar ou de lutar para mudar a nossa realidade.

Que os ventos virem.

Coletivo Maio

Vira Vento! – Chapa CRD 2012/2013

26 set

Acesse aqui a Carta-Programa da chapa Vira Vento, do Coletivo Maio, às eleições do Conselho de Representantes Discentes (CRD) do Curso de Direito da UFPR!

carta programa – vira vento

Além disso, convidamos à todas/os a comparecer na plenária aberta da chapa nessa quarta-feira, 26/09, às 17h no Boulevard!

Vem ano, vai chapa, volta o mesmo intento: soprar mais um pouco de nada na estagnação do “tento”. Personalissimesmo CRD! Ponto por ponto num programa pronto: mesa é voto, côisa é voto, jargão é voto. É o debate aqui dentro? 

Vira vento!

(Re)Apresentar uma representação é pouco, lamento! Esse povo jurídico quer saber seu direito! Vira vento! Venha debater conosco CRD: nossa concepção, os limites desse espaço, o que propomos e como podemos construir juntos a nossa educação jurídica!

evento no facebook


Eleições para Direção do Curso de Direito – Posicionamento do Coletivo Maio

1 jun

Na última quarta-feira (30/05) foram reeleitos aos cargos de Direção e Vice-Direção do Curso de Direito os professores Ricardo Marcelo Fonseca e Vera Karam de Chueiri. O Coletivo Maio expôs seu posicionamento quanto às eleições em panfletagens e passagens em sala. Disponibilizamos o material distribuído à comunidade acadêmica no link abaixo:

panfleto MAIO 30 31_05 2

Avaliação do Coletivo Maio – Evento do Comando de Mobilização do Direito 24/05

25 maio

Na última quinta-feira (24/05), ocorreu o debate “Greve na Universidade: o que eu tenho a ver com isso?” do Comando de Mobilização do Direito, com os Professores Luís Allan Küntze, presidente da APUFPR, e Ricardo Prestes Pazello, professor de Antropologia Jurídica da faculdade, em que foram discutidas as perspectivas da greve na Universidade e os próximos passos do movimento grevista.

O Comando de Mobilização dos Estudantes de Direito, surgido após deliberação de sua reativação em Assembleia dos Estudantes de Direito (14/05), realizou ontem um debate com os estudantes para discutir e esclarecer os processos de greve que tem ocorrido nas IFES (Instituições Federais de Ensino Superior). Dentre os repasses dados pelos professores, comentou-se o fortalecimento repentino do movimento, que já conta com 44 instituições em estado de greve, bem como demonstrações da precariedade pela qual tem passado o ensino público, tendo sido citados exemplos alarmantes como contêineres transformados em salas de aula na Unifesp, no campus de Santos, ou o caso do Instituto Federal de Palmas, no qual um único curso de Direito conta com somente 6 professores para os todos 5 anos. Do mesmo modo, também não faltaram críticas e apontamentos sobre as precarizações vividas na nossa própria universidade, a UFPR, assim como no curso de Direito. Por fim, foi tirado o indicativo de atividades comunitárias entre professores e estudantes durante a greve, tanto no movimento geral quanto localmente, no Direito.

O Coletivo Maio avalia muito positivamente o diálogo travado na atividade. É notório que o movimento grevista cresce e se consolida cada vez mais em todas as categorias que compõe a universidade: técnicos, professores e estudantes. É evidente que tamanha insatisfação não surge do nada, mas decorrem de um governo intransigente que se recusa cada vez mais a dialogar com a comunidade universitária e construir um projeto de educação popular que envolva a ampla discussão das categorias. Neste cenário de sucateamento progressivo da educação pública, vemos a mobilização e a organização das categorias como únicas alternativas de defesa da qualidade de ensino. Por isto, convocamos a tod@s @s estudantes de Direito para que compareçam às reuniões do Comando de Mobilização, que ocorrem toda terça-feira, às 11h, na subsede do CAHS. Por uma educação pública, gratuita e de qualidade!

Avaliação II Seminário de Direitos Humanos da FENED

24 maio

Neste último final de semana, durante os dias 19,20,21, aconteceu o II Seminario de Direitos Humanos da FENED, desta vez no Rio de Janeiro. O Coletivo Maio avalia muito positivamente o espaço, que, dada a conjuntura nacional, contou com paineis de temáticas essenciais para a compreensão e intervenção dos estudantes de direito em suas diferentes localidades, sendo assertivo seu tema “Modelo de Desenvolvimento e Tratamento Penal da Miséria“. A Federação afirmou mais uma vez seu caráter de luta. Ademais, o número de participantes aumentou consideravelmente desde a primeira edição do evento ano passado, o que demonstra uma maior capilarização da Federação nas faculdades de direito. Acreditamos que o próximo passo vem nesse sentido, de trazer para dentro de nossas escolas os acúmulos da FENED e encampar processos e campanhas articulados nacionalmente com vistas a fortalecer nossa intervenção e o peso político que pode ter um instrumento representativo dos estudantes.

Acesse aqui o material distribuído pelo Coletivo durante o evento: Contribuição ao II Seminário de Direitos Humanos

Mais informações sobre a federação: http://www.fened.org.br/

Posicionamentos do Coletivo relativos à Assembléia de Direito 14/05!

23 maio

Acesse o material aqui:

Panfleto Assembléia 14/05 – Posicionamentos do Coletivo

Ato Contra a Homofobia na PUC-PR hoje!

16 maio

Boa Tarde, navegantes.

Nós do Coletivo Maio ficamos sabendo de mais um caso de homofobia, desta vez na PUC. Duas alunas, ao caminharem abraçadas pelo corredor da universidade, foram constrangidas por um professor, que disse que a conduta delas não era permitida dentro da universidade. Ficou óbvio o ataque homofóbico às meninas, que informaram amigos próximos. A partir daí, houve a confecção da Moção de Repúdio (que segue este introdução) e a construção ato contra a Homofobia que ocorrerá nesta quarta-feira (16/05).

Ao passo que somos comprometidos com a luta incessante contra as opressões dessa sociedade capitalista, heteronormativa, racista e elitista, nós do Coletivo Maio convidamos todas e todos @s estudantes do curso de Direito a compor o ato, que ocorrerá no campus da PUC-PR às 18h, seguido de um debate às 19h.

Moção de Repúdio à agressão lesbofóbica sofrida por estudantes da PUCPR

Viemos, através desta, expressar nosso profundo repúdio à agressão lesbofóbica sofrida pelas estudantes dos cursos de Sociologia e Serviço Social da PUC do Paraná, por um Profº, que identificou-se como Wesley Santana. Na ocasião do fato, o citado abordou as estudantes de forma grosseira, solicitando o nome das mesmas e afirmando que não aceitava esse tipo de atitude dentro da instituição (a atitude a qual ele se referia era as estudantes estarem de mãos dadas no corredor da Escola de Educação e Humanidades da PUCPR).

É inadmissível que essas situações ocorram no interior de uma universidade, a qual deve ser um espaço de promoção do conhecimento e do respeito as diversidades. A homofobia, bem como o racismo e o machismo, são males que a cada dia fazem mais vitimas em todo o mundo, sendo o nosso país campeão de agressão a LGBTTs e a mulheres, e por isso não podemos aceitar que manifestações como a que ocorreu na PUCPR continuem ocorrendo. Por fim, expressamos nossa total solidariedade às estudantes, fazemos um chamado a todas organizações a se manifestarem sua indignação ao ocorrido, e que a Reitoria da universidade abra uma sindicância para apurar o caso.

‘’A nossa luta é todo o dia, contra o machismo, o racismo e a homofobia’’.

Curitiba, 08 de Maio de 2012.

ANEL – Assembleia Nacional de Estudantes Livre
Coletivo Barricadas Abrem Caminhos
Coletivo Maio
Grupo de Gênero – Direito UFPR
CAASO PUCPR – Centro Acadêmico Autônomo de Sociologia
CAEF UFPR – Centro Acadêmico de Educação Física
CASS PUCPR – Centro Acadêmico de Serviço Social
DCE EMBAP – Diretório Central de Estudantes da Escola de Música e Belas Artes do Paraná
ENESSO – Executiva Nacional das Estudantes de Serviço Social
LPJ – Levante Popular da Juventude
PSOL – Partido Socialismo e Liberdade